quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019


“Ô sol vê se não esquece e me ilumina
Preciso de você aqui
Ô sol vê se enriquece a minha melanina
Só você me faz sorrir”... (Vitor Kley)




Olá! Aventureiros,

Saindo do consultório da dermatologista, pois estava intrigado com algumas manchas que percebi no autoexame de pele, lembrei do nosso astro-rei, companheiro constante de nossas expedições e exercícios ao ar livre, e dos benefícios que nos concede, mas também das lesões e problemas de saúde, muitas vezes sérios, associados a ele.

Confesso que nunca fui de me cuidar quando era mais jovem e desinformado, guardando na memória alguns episódios de sérias queimaduras solares por exposição sem proteção. Lembro também de um "trekking" no litoral sul, realizando a travessia de Tavares, pelo Parque Nacional da Lagoa do Peixe, até Rio Grande, ocasião em que consegui algumas queimaduras sérias nas pernas.

Travessia no litoral sul - sob o sol.

E qual a importância do sol nesta história?

Em relação aos benefícios, vem logo à cabeça a Vitamina D, sobre a qual se pode afirmar que foi a vitamina mais estudada nos últimos anos, quanto a sua formação e ativação, e sua relação com nossa saúde óssea, com a obesidade, com o desenvolvimento de câncer e na saúde em geral. A exposição aos raios ultravioleta B ativam a vitamina D em sua forma pré-hormonal, para que então seja metabolizada no fígado e rins, a fim de ser convertida para a forma ativa, a qual irá nos proporcionar todos os efeitos benéficos no organismo. 

O outro lado da moeda, em relação à exposição solar, refere-se às queimaduras, já abordadas aqui no Blog, e ao risco de desenvolvimento de câncer de pele.

Sobre o câncer, destaco os seguintes tipos:

- Carcinoma basocelular (CBC): o mais comum e menos agressivo, que pode ser curado em caso de detecção precoce. Aparecem nas regiões mais expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas, mas podem se desenvolver em áreas não expostas.

- Carcinoma espinocelular (CEC):  segundo mais prevalente dentre todos os tipos de câncer e que pode se desenvolver em todas as partes do corpo, sendo mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo, pescoço etc. A pele nessas regiões, normalmente, apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade. Este tipo de câncer é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres e pode estra associado a outros fatores, além da exposição solar, tais como feridas crônicas e cicatrizes na pele.

- Melanoma: tipo menos frequente, porém o mais agressivo câncer de pele, possuindo um alto índice de mortalidade. O segredo para evitar as complicações está na detecção precoce da doença e retirada cirúrgica da lesão, o que eleva para mais de 90% a chance de cura. Nos estágios mais avançados, a lesão é mais profunda e espessa, o que aumenta a chance de se espalhar para outros órgãos (metástase) e diminui as possibilidades de cura.
Atenção 1:
A lesão em geral tem a aparência de uma pinta ou de um sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos e que apresentam mudanças de cor, de formato, de tamanho ou sangramento. Por isso o autoexame de pele é de suma importância, devendo-se procurar um dermatologista caso se detecte alguma lesão suspeita.
Atenção 2:
As lesões podem surgir em áreas difíceis de serem visualizadas, apesar de serem mais comuns nas pernas, em mulheres; nos troncos, nos homens; e pescoço e rosto em ambos os sexos.
Atenção 3:
Pessoas de pele clara e que se queimam com facilidade quando se expõem ao sol têm mais risco de desenvolver a doença, porém indivíduos de pele mais escura e negros também podem desenvolver a doença.

A maioria dos cânceres da pele possui uma relação com a exposição ao sol, e considerando que a radiação ultravioleta (UV) tem efeito cumulativo, capaz de penetrar nas camadas mais profundas da pele e provocar o surgimento de pintas, sardas, manchas, rugas e os cânceres, além das queimaduras solares em si.

Uma lesão considerada “normal” por um leigo, pode ser suspeita para um médico e somente um médico especializado pode diagnosticar e prescrever a opção de tratamento mais indicada para cada tipo de câncer.

ABCDE para suspeição de lesões de pele. 
(Fonte:http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/)


Assim, aventureiros, como devemos proceder?  Consideramos que a exposição solar não protegida pode aumentar os níveis da vitamina D, e assim alcançaríamos uma ação “protetora” até contra o câncer? Ou devemos pensar que a exposição solar aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de pele?

Na verdade, devemos pensar de forma individualizada. Para mim, que já tirei um CBC, a atenção deve ser redobrada, devendo usar sempre a proteção devida, realizar o autoexame de pele e consultar com um especialista regularmente.

No geral, pensando na Vitamina D, com 15 minutos de sol diários e expondo pelo menos 25% do corpo aos raios solares, já é possível obter os benefícios esperados, principalmente com uma alimentação adequada com as fontes da vitamina (atum, sardinha, fígado, gema de ovo, vegetais ricos em óleo, leite, chocolate e manteiga).

Quanto à suplementação, lembramos logo do óleo de fígado de bacalhau, ofertado meio à força pelas mães mais zelosas, no formato da famosa "Emulsão Scott". No entanto, a ingestão excessiva de vitamina D pode cursar com “hipervitaminose”, relacionada com a calcificação de tecidos moles, além de náuseas, pressão alta, perda de apetite, insuficiência renal, fraqueza muscular e dores nas articulações. Portanto, a suplementação deve ser realizada só com orientação médica.



Lembranças da infância

Medidas Gerais de Prevenção:

·         Usar bonés, chapéus largos, camisetas, óculos escuros e protetores solares.

·         Para esportes recomendo o uso de camisas de manga comprida com proteção UV.

·         Evitar a exposição solar entre 10 e 16 horas.

·         Na praia ou na piscina, dar preferência a barracas feitas de algodão ou lona (absorvem 50% da radiação UV), enquanto as de nylon permitem que até 95% dos raios UV ultrapassem.

·         Usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou de diversão, com fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo.

·         Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre.

·         Ao utilizar o produto no dia a dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.

·         Realizar regularmente o autoexame da pele e consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.


Camisas UV com FPS 50 são uma boa opção de proteção, junto com o bloqueador.

Ótimas lembranças da travessia no litoral sul - Richardson Luz, Dr. Bruno Cançado e eu.  

PRATIQUE AVENTURA!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

MEDICINA DE DESERTO

MEDICINA DE ÁREAS DESÉRTICAS

As atividades de turismo de aventura em regiões de clima desértico exigem um planejamento adequado, principalmente quando se trata da manutenção da saúde e do devido suporte nutricional nestas regiões.


Estima-se que 1/3 do planeta tenha seu ambiente caracterizado como deserto árido ou semiárido. No Brasil, o bioma da Caatinga, com uma área total de 850.000 km², corresponde a 10% do território nacional e apresenta uma fisionomia de deserto, com índices pluviométricos muito baixos e uma baixa variação da temperatura.
Caatinga (Fonte:http://evlafreitas.blogspot.com/2010/06/bioma-caatinga.html)
Muitas doenças podem ser facilmente encontradas nesta região, com destaque para as diarreias relacionadas à água e aos alimentos contaminados e as doenças transmitidas por vetores.

Os agravos mais comuns nas atividades em Caatinga relacionam-se com a disponibilidade da água e com as características do clima, tais como a hipertermia, a insolação, a intermação, a hiponatremia e a desidratação, além dos acidentes com cobras, escorpiões e insetos venenosos.

A Medicina do Deserto, termo usado internacionalmente, é caracterizada pelo cuidado muitas vezes improvisado de pacientes em locais com as características climáticas e geográficas típicas, associado à escassez de recursos materiais e ao isolamento da área, podendo ocasionar um retardo no acesso aos cuidados de saúde definitivos.

Assim como a Medicina de Montanha, a de Deserto encontra-se em constante desenvolvimento e baseia-se na própria amplitude das especialidades médicas e cirúrgicas associada ao desenvolvimento tecnológico e das comunicações.

O futuro da Medicina de Deserto depende do desenvolvimento de várias frentes: educação, pesquisa, treinamento, tecnologia, comunicações e meio ambiente. Tal desenvolvimento poderá aprofundar a compreensão dos profissionais de saúde responsáveis pelo planejamento e pela execução do atendimento médico e assim alcançar melhorias nos resultados clínicos.

Assim, pesquisas sobre a epidemiologia de doenças e agravos e o desenvolvimento de diretrizes baseadas em evidências devem evoluir, para que a prevenção e a mitigação de riscos possam ser plenamente empregadas neste campo de conhecimento.

Curiosidade

Ação do Sol em regiões desérticas: Soldados da II Guerra Mundial fritando ovo na chapa do carro de combate no deserto.

                                       https://www.youtube.com/watch?v=x1rXLhow1Ro

Distúrbios do Calor
O estresse por calor pode causar um espectro de doenças, variando desde cãibras de calor benignas, intermação e insolação, até a hipertermia, com risco de morte.

Como a temperatura central humana normal deve permanecer próxima aos 36,5 °C, casos com a temperatura corporal elevada e nos quais o organismo perde a capacidade de compensar as variações ocorridas, podem evoluir com disfunções metabólicas, alterações da atividade cardíaca, colapso circulatório, alterações neurológicas, convulsões, coma e morte.

As cãibras do calor
As cãibras causadas pelo calor são espasmos musculares dolorosos e incapacitantes que resultam da associação do clima quente com exercícios físicos prolongados e sudorese, muitas vezes com a reposição excessiva de água, fato que acaba por diluir os eletrólitos do sangue contribuindo para o transtorno. 

O uso de roupas inadequadas e a exposição a ambientes quentes por trabalhadores, atletas e militares, mesmo que previamente saudáveis, podem cursar com as contrações fortes e dolorosas dos músculos dos membros superiores ou inferiores características das cãibras.

Intermação
Este quadro relaciona-se com a ação prolongada do calor, em ambientes com baixa ventilação ou mesmo em pessoas usando roupas pesadas. Até pessoas na praia, após a permanência por muito tempo sob o guarda-sol podem apresentar este transtorno.

Os pacientes têm aparência de cansaço e podem apresentar sudorese, taquicardia e estado mental preservado. Os sintomas incluem fraqueza, tonturas, cefaleia, náuseas, vômitos e síncope por calor. A temperatura é frequentemente normal ou não excede 40°C.

Insolação

Quadro semelhante ao anterior, considerando a ação direta dos raios solares sobre a pessoa.

Hipertermia
A hipertermia é caracterizada pela elevação da temperatura corporal a patamares acima da capacidade de o organismo dissipar, isto é, há uma falha da capacidade de compensação da temperatura corpórea.

Nem sempre a hipertermia relaciona-se com a exposição ao sol, quando causada por esforço, pode ocorrer mesmo em temperaturas ambientais moderadas, especialmente entre os atletas de esporte de aventura e ultramaratonistas.

Por ser considerada uma emergência médica, necessita de tratamento de imediato a fim de evitar as complicações dos quadros mais graves.

Tratamento das doenças do Calor
Na abordagem destas vítimas, a remoção da causa do estresse pelo calor e o resfriamento rápido do corpo são essenciais para garantir a não evolução para os quadros mais graves ou mesmo evitar um desfecho trágico.

Uma boa opção para o resfriamento é a imersão total do corpo em água fria ou até gelada. Porém, em regiões de deserto essa intervenção geralmente não é prática. Nestas circunstâncias, umedecimento da pele e ventilação agressiva podem ser usados ​​na tentativa de diminuir a temperatura do paciente.


O tratamento pode ser realizado deixando-se a vítima em um ambiente fresco e com a reposição de bebidas que contenham sais ou até alimentos salgados. Soro caseiro ou uma bebida esportiva são boas opções, em volumes de 1 a 2 litros. Casos mais graves são tratados com líquidos e sais administrados via intravenosa, e em geral o alongamento do músculo afetado alivia imediatamente a dor.

Manejo do paciente com estresse do calor

- coloque o paciente em lugar fresco e ventilado 
- mantenha a cabeça do paciente mais alta do que o corpo  
- retire a roupa que for possível e afrouxe ou abra as restantes;  
- aplique compressas frias na cabeça, pescoço, abdome e nas regiões de grandes vasos 
- ofertar líquidos se estiver acordado  
- mantenha em repouso até a normalização do quadro
- converse com a vítima para acalmá-la e avaliar o seu estado de consciência

Desidratação
Atenção deve ser dada para a desidratação que ocorre quando o indivíduo perde mais água do que repõe, evoluindo com um volume de sangue menor que o normal, o que força o coração a aumentar o seu ritmo para compensar (taquicardia), podendo apresentar outros sintomas como fraqueza, tontura, dor de cabeça, fadiga, coma e morte.
Soro caseiro ou bebidas esportivas são indicados em casos de desidratação pois previnem as complicações que podem ocorrer.

Observações quanto à Hiperidratação
Por outro lado, a ingestão excessiva de água pode causar um desequilíbrio hidreletrolítico no organismo causada pela concentração anormalmente baixa de sódio no sangue. O sinais e sintomas incluem letargia, apatia, desorientação, câimbras, anorexia, náuseas, dores de cabeça e perda da consciência que pode evoluir com a morte.


Há alguns anos uma aventureira, durante um "trekking" no "Grand Canyon", consumiu uma quantidade excessiva de água e ao retornar da expedição apresentou um quadro de síncope que evoluiu de forma desfavorável, vindo a falecer em seguida.

Link para o artigo do caso:


Quando suspeitar de doenças do calor:
-  dor de cabeça;  
- náuseas e vômitos;  
- tonturas;
-  rosto avermelhado;  
-  pele quente e seca;  
- muitas vezes não há suor presente
- pulso rápido;
- temperatura elevada do corpo e extremidades;  
- respiração acelerada e difícil, muitas vezes a vítima parece sufocada;
- temperatura elevada do corpo e extremidades;  
- desmaio e pele pálida;
- extremidades arroxeadas;
- em casos mais intensos, convulsões e até mesmo a morte.
  

OBS.: Pensar em quadros associados de queimadura e desidratação
Saiba quais são os Sintomas de insolação
Queimaduras e Insolação - pensar sempre. (Fonte: https://www.tuasaude.com/sintomas-de-insolacao/) 
Prevenção
-  use proteção na cabeça e na nuca ao estar ao sol, de preferência com chapéus apropriados.
-  use roupas folgadas e de cores claras;  
-  prefira uma alimentação rica em com hortaliças e frutas, sem se descuidar dos carboidratos como fonte de energia e das proteínas como prevenção de perda de tecido muscular.
-  beba muita água (atenção para o caso relatado acima), sucos de frutas e bebidas isotônicas – uns 3 litros por dia podem ser suficientes.  
-  evite a exposição e os esforços sob o sol das horas de muito calor -  atenção para o período entre as 10 e 16 horas. 
-  planeje atividades observando os ambientes ventilados ou arborizados, informando a rota para alguém próximo e prevendo momentos de resfriamento e hidratação no percurso. 
-  não se descuide do protetor solar pelo menos 30 minutos antes da exposição solar. 
  
"PRATIQUE AVENTURA"

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

De volta às atividades do BLOG!!!


OS RISCOS EM PRAIAS, PISCINAS E RIOS.



Depois de algum tempo ausente decidi voltar a contribuir com comunidade aventureira com dicas de saúde e bem estar em atividades outdoor.


 Atividades outdoor e saúde. 

Aproveitando o verão, o tema abordado será sobre os riscos nas atividades em praias, piscinas e rios.

Praias
As regiões praianas são locais ótimos para relaxar e aproveitar as férias, mas também oferecem diferentes perigos aos banhistas e desportistas, alguns são bem evidentes e podem ser facilmente evitados, outros, no entanto, podem se tornar verdadeiras arapucas.
Em geral, as pessoas que vivem em uma região de praia conhecem muito bem as características locais, porém quando assumimos o papel de turistas estamos propensos a não saber onde realmente pisamos, assim não sabemos se determinada localidade é adequada para a prática de esportes ou simplesmente para banhar-se.
Características físicas locais, tais como molhes, piers, rochas submersas, desembocaduras de rios e outros obstáculos representam fontes de perigo adicionais, aumentando o nível de periculosidade da praia.
Acidentes ocorrem muitas vezes pela baixa percepção de risco por parte dos frequentadores, que muitas vezes desconhecem as características naturais ou não dão a devida importância à sinalização presente.
É importante saber que o fundo do mar não é plano, apresentando locais mais rasos e outros mais fundos, tal fato relaciona-se a muitos acidentes. Tente sempre se informar a respeito da profundidade e das correntes locais.
🔺Correntes de retorno: Resultam do retorno da água para o alto-mar, por pequenos canais, após as ondas chegarem até a praia. São rápidas (em torno de 3 m/s) e podem facilmente levar uma pessoa para áreas fundas e distantes da costa. Sua superfície fica mais turbulenta e com aspecto de água suja, pois nesses locais, as ondas quebram com menor frequência. Caso seja arrastado por uma dessas correntes, tente ficar calmo e boiar. Não se deve nadar contra a corrente, visto que são muito rápidas, mas sim paralelamente à praia.


Corrente de Retorno (Fonte: https://www.itaocararj.com.br)

Piscinas
No verão, as piscinas se destacam como opção de lazer, por isso alguns cuidados devem ser observados:
- Não se desloque correndo, mas sim andando, pois os pisos no entorno das piscinas podem estar muito escorregadios.
- Muitos acidentes acontecem com o mergulho de cabeça em piscinas rasas. Já atendi no Pronto Socorro vítimas graves de acidentes deste tipo. 
- O choque entre banhistas durante o mergulho também é um risco sério, pois uma batida com a cabeça pode resultar em inconsciência e causar a morte por afogamento.
- Nade preferencialmente acompanhado, observe se a piscina está assegurada pela presença de um guarda-vidas e principalmente, respeite suas próprias limitações e nade somente na profundidade em que você se sinta confortável e seguro.
🔺Cuidado: A ingestão de álcool representa um grande risco para a segurança, pois ocasiona uma redução dos reflexos ou mesmo a perda da noção de risco, predispondo a acidentes.
- O sistema de filtração requer atenção contínua, visto que ao puxar a água pelos orifícios espalhados pela piscina pode sugar cabelos ou partes do corpo, ocasionando uma submersão involuntária até o afogamento. Por isso as pessoas com cabelos compridos devem estar especialmente atentas para esse risco. Cabe ressaltar que em piscinas modernas este risco é reduzido com dispositivos de segurança específicos.
🔺Com crianças a atenção deve ser redobrada, tanto pela falta de supervisão, mesmo que eventual, como por verdadeiras armadilhas submersas, como por exemplo o espaço existente entre as escadas de acesso e a parede. Tenham em mente que crianças podem se afogar rapidamente em qualquer profundidade. Em casas com crianças em casa, a piscina deve ser cercada em todo perímetro e possuir um sistema de fechamento ou portão que não possa ser aberto por uma criança. Lembre-se que boias são importantes itens para crianças, mas não substituem a supervisão de um adulto, podendo até mesmo se converter em risco adicional.

Piscinas podem se tornar um problema.

Rios
Recentemente um grupo de aventureiros foi surpreendido por uma cabeça d’água durante a prática de rapel, numa cachoeira na região da Serra da Canastra em Minas Gerais, levando a uma terrível tragédia.
Este fenômeno ocorre devido a uma chuva forte, o que aumenta de forma abrupta o nível do rio e provoca enxurrada por conta do fluxo de água. O problema é que muitas vezes as chuvas ocorrem fora do campo de visão, como nos topos de montanhas que captam as águas para determinado curso d’água. Estas áreas de encostas de altos declives relacionam-se com pessoas colhidas de surpresa por enxurradas inesperadas. Para piorar a situação, pode ocorrer um represamento da água por conta de árvores e galhos presentes, e quando ocorre a ruptura da represa formada, um grande volume de água e detritos segue o curso do rio, levando a tudo e todos que encontra no caminho.
Deve-se diferenciar da tromba d’água, que é um tornado que acontece tanto na água salgada quanto na água doce e que carrega um grande volume de água quando ocorre.
Como nesta época do ano os banhos de rio e cachoeiras são práticas comuns, deve-se prestar muita atenção nas possíveis alterações meteorológicas, principalmente durante o período da tarde.
Outra dica é sempre ouvir os moradores locais, que podem aconselhar a não ir para determinado trecho. Quem nunca ouviu um rio denominado “Roncador”? trata-se de uma alusão ao constante som causado pelo deslocamento violento de grandes volumes de água.

Cabeças d'água podem ser mortais

A ocupação humana de áreas rurais e de encostas também contribui para o recrudescimento deste fenômeno, que pode ocorrer em qualquer rio, por causa da interferência das alterações ambientais no volume e na intensidade da captação das águas durante as chuvas.
🔺Lembre-se que não há necessidade de estar chovendo ou mesmo ter chuva intensa na área, pois a água poderá ser proveniente das cabeceiras muitas vezes distantes a montante, e uma cabeça d’água poderá alcançar pessoas que inadvertidamente encontram-se em rios ou cachoeiras de forma muito rápida.

Conclusão
Qualquer que seja o ambiente aquático em que você, sua família e amigos se encontrem, um maior conhecimento das características locais contribuirá para a segurança de todos. Quando morei na região amazônica, não me atrevia a entrar em igarapés ou rios nos quais não havia habitantes locais banhando-se.  

Por fim, não se esqueça de usar um protetor solar apropriado e manter-se hidratado.

Para saber mais:
SOBRASA – Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático

Vídeos de cabeça d’água:
https://www.youtube.com/watch?v=BBb6XoBLHs8
https://www.youtube.com/watch?v=iMH25048efQ


Desejo a todos que 2019 seja repleto de aventuras e realizações!






sábado, 18 de março de 2017

OS RISCOS DO TURISMO EM CAVERNAS

Explorar o interior da terra e admirar verdadeiras obras de arte da natureza, como as estalactites e as estalagmites, além de estar muitas vezes em silêncio absoluto ou na mais completa escuridão, é possível, quando se visita o interior das cavernas.

Na maioria das vezes esses visitantes não são espeleologistas, mas sim leigos, que não possuem a verdadeira noção dos riscos envolvidos na atividade ou mesmo o que significa para a natureza esculpir as esculturas de uma gruta (estalactites e estalagmites podem crescer em torno de 0,01 a 0,3 mm por ano).
                        Estalactites - obras de arte da natureza.

Goiás é um lugar muito rico em grutas, são encontradas no vale do São Patrício, nos municípios de Goianésia e Vila Propício, nas regiões de Cocalzinho e do Parque Estadual do Terra Ronca, dentre outras. 

Recentemente ocorreram alguns acidentes em cavernas no estado de Goiás, resultando em ações de resgate realizadas pelo Corpo de Bombeiros daquele estado. Vale ressaltar que atividades desta natureza são consideradas como as mais difíceis de serem executadas, mesmo por equipes altamente capacitadas.

Problemas de saúde em atividades em cavernas

Mesmo com o desenvolvimento de técnicas e equipamentos específicos e com a presença de espeleólogos ou guias experientes, a exploração e o turismo em cavernas apresentam riscos significativos, devido as peculiaridades desse ambiente.

Acidentes

O interior das cavernas, bem como as trilhas que lhe dão acesso, exigem cuidados em relação a quedas e lesões ortopédicas associadas (fraturas, luxações e entorses). Muitas vezes há o risco de morte, principalmente pela exposição a alturas significativas. O domínio de técnicas verticais, com o uso de cordas e equipamentos de segurança, é fator imprescindível na prevenção de acidentes graves.

A possibilidade de ocorrer o encontro com animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas, exige o uso de botas e roupas adequadas, que protejam tornozelos, pernas e braços, diminuindo assim a possibilidade de acidentes.

A permanência prolongada em ambientes inundados ou com baixas temperaturas, aumenta a possibilidade de ocorrer hipotermia, que pode provocar perda de coordenação motora, alterações da consciência e até mesmo a morte. Para evitá-la, os exploradores devem usar roupas impermeáveis ou com tecidos de secagem rápida e levar agasalhos e mudas roupas secas.

O afogamento é um perigo que deve ser considerado, tanto pelo risco de inundação repentina, como durante a travessia de rios subterrâneos ou na superfície.

           Caverna com rio subterrâneo – Parque Estadual do Terra Ronca.

Doenças

Morcegos podem transmitir a hidrofobia ou raiva, doença grave e sem cura, geralmente de forma casual, pois esses animais não costumam atacar espontaneamente o ser humano. O contato acidental com unhas e dentes apresenta um alto risco de contágio e pode ocorrer durante uma revoada para entrar ou sair das grutas.

A Histoplasmose, conhecida antigamente como "Doença das Grutas", é uma patologia transmissível que ocorre após a inalação dos esporos do fungo “Histoplasma capsulatum”, presente em dejetos de aves e morcegos. Essa infecção fúngica sistêmica manifesta-se na maioria das vezes como um quadro brando, semelhante ao estado gripal. 

Após a inalação do fungo dá-se a disseminação pela corrente sanguínea, espalhando o agente por vários órgãos, como pulmões, fígado, baço e tubo digestivo. As formas graves disseminadas, muitas vezes com desfecho letal, podem ocorrer em pessoas suscetíveis. A resposta imunológica do hospedeiro vai determinar a gravidade da doença.

                               A exploração de cavernas exige cuidados.

As manifestações clínicas em geral são: tosse, febre com duração maior que uma semana, fraqueza, falte de apetite, dor torácica, dor de cabeça e dor no corpo do tipo muscular. Radiologicamente, podem ser encontrados nódulos, únicos ou múltiplos, disseminados em ambos os pulmões. 

O período de incubação dura entre uma a três semanas, portanto o aparecimento desses sintomas, no intervalo considerado, exige que a pessoa exposta procure atendimento médico imediatamente.


Dicas de segurança para atividades em cavernas

1 – Utilize sempre os guias locais ou algum grupo experiente e evite explorar grutas desconhecidas, a não observância dessas recomendações implicará em riscos reais.

2 – Faça um “check-list” com os equipamentos necessários (corda, mosquetão, freio, ascensores, carbureteira, lanterna elétrica, pilhas reserva, lâmpada reserva, velas e fósforos a prova d’água, abrigo térmico e kit de primeiros socorros).

3 – Utilize capacete e roupas adequadas para a atividade.

4 – Forneça a alguém todos os detalhes da expedição, como o roteiro e as datas planejadas.

5 – Atenção para cavernas com curso d’água ou sinais de drenagem, pois em caso de chuva intensa pode ocorrer alagamento repentino, muitas vezes impossibilitando a saída do local.

6 – Durante o deslocamento no interior da caverna não salte de um lugar para outro, devido ao risco na dissipação da onda de choque ou de ocorrer alguma lesão na queda.

7  Não interfira na dinâmica da caverna, por exemplo: não toque na ponta de uma estalactite ou interrompa a queda da gota formada e muito menos mexa em animais.


Link: Para saber mais sobre as cavernas de Goias.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

7 Perguntas e Respostas sobre Imunidade

1- Por que certas pessoas ficam mais doentes que as outras?
Assim como as pessoas são diferentes fisicamente, tanto por influência familiar, pelo ambiente e pelo estilo de vida, os seus sistemas imunológicos também apresentam capacidades distintas e consequentemente diferentes respostas ao tomar contato com os diferentes germes do meio em que vivem, resultando em doença em alguns e em outros não.
2- O que faz a imunidade baixar e como podemos aumentá-la?
A baixa da imunidade, também conhecida como imunodeficiência, pode ocorrer em pessoas previamente saudáveis, quando em algum momento da vida são expostas a situações que desequilibram o sistema imunológico, tais como o estresse físico ou emocional, doenças virais, doenças metabólicas, desnutrição, abuso de álcool, drogas e uso prolongado de medicamentos, dentre outras causas que repercutem com um efeito negativo nas defesas do organismo.
O excesso de exercícios, um estado de estresse prolongado, períodos curtos de sono, a falta de repouso adequado, algumas doenças crônicas descompensadas e um ambiente sem saneamento básico e higiene são fatores que também contribuem para a falha da imunidade.
Alguns indivíduos nascem com uma predisposição genética determinada, sendo esta conhecida como imunodeficiência primária.
3- Em relação a dieta, o que influencia na imunidade?
O sistema imune depende de uma alimentação equilibrada com vitaminas e proteínas, portanto a alimentação moderna, com o consumo exagerado de frituras, doces e alimentos industrializados poderá resultar em falhas na resposta imunológica.
Uma dieta rica em frutas cítricas, devido as suas funções antioxidantes e anti-inflamatórias, com vegetais verde-escuros, tais como couve, espinafre, rúcula e brócolis, que pela presença de ácido fólico ajudam na produção dos glóbulos brancos e com a ingestão de proteínas, que correspondem a matéria prima dos anticorpos, sendo encontradas em carnes, ovos, frutos do mar e grãos, contribui muito com a capacidade de resposta imune.
4- Qual a importância da quantidade de glóbulos brancos?
Os glóbulos brancos, ou leucócitos, são células encontradas no sangue e possuem a função de combater as infecções ou corpos estranhos, fazendo parte do sistema de defesas imunológicas do corpo humano. A quantidade dos glóbulos brancos nos exames de sangue pode orientar o diagnóstico de doenças infecciosas, inflamatórias, câncer e até leucemias.
A diminuição destas células pode indicar a presença de alguma infecção viral ou pode significar que a pessoa está predisposta desenvolver quadros infecciosos.
O estudo dos leucócitos se realiza no hemograma e esta análise não é necessário estar em jejum.
Vale lembrar que o aumento destas células pode indicar a presença de uma infecção bacteriana. O importante é que estes dados devem sempre ser avaliados por um médico e confrontados com os sintomas do paciente.
Os seguintes alimentos podem influenciar o aumento dos glóbulos brancos:
O chocolate preto, por ser rico em zinco, o iogurte e probióticos, os alimentos ricos em vitamina C, os vegetais verde-escuros e as fontes de ômega 3, como salmão, sardinha, atum, ovo e frutas secas.
Na Europa, as propagandas das redes de lanchonete de “fast food” são acompanhadas de um aviso para o público alvo consumir de cinco a seis porções de frutas por dia.
Além da alimentação, a prática regular de atividades físicas estimula o sistema imune, com a manutenção dos glóbulos brancos e reduz o estresse e a ansiedade, combatendo os seus efeitos nocivos sobre a saúde.
Realizar exercícios físicos pelo menos três vezes por semana, com a orientação de profissional competente e a avaliação médica devida, acarretará efeitos benéficos sobre a saúde geral, fortalecendo nosso organismo.
5- Por que as vacinas são mais eficientes para uns do que para outros? 
O Brasil possui um programa de vacinação que é modelo mundial, nele as vacinas são usadas para induzir a proteção contra determinadas doenças infecciosas, resultando na produção de anticorpos específicos, de acordo com um calendário de vacinação cientificamente estabelecido pelo Ministério da Saúde e a comuidade médica.
O tipo de vacina, a dose, a via de aplicação e a presença de anticorpos prévios para a doença em questão, influenciam a efetividade das mesmas após a aplicação. Outros quadros podem alterar os efeitos das vacinas são as doenças crônicas ou relacionadas à imunodeficiência, como o Lupus Eritematoso Sistêmico e a infecção pelo HIV, o uso prolongado de medicamentos que baixam a imunidade, como os corticosteroides e imunossupressores, os pacientes transplantados e os que retiraram o baço, podem apresentar alguma falha na função ou complicação da vacina.
6- O contato com micróbios é benéfico para o sistema imunológico?
No final dos anos 80, o médico inglês David Strachan, divulgou a Teoria da Higiene, sugerindo que as crianças que vivem em ambientes extremamente limpos e estéreis são mais propensas a desenvolver algumas doenças alérgicas, como a rinite e a asma. Recentemente após um estudo publicado na revista científica "Science", uma das mais respeitadas do mundo, voltou à tona um assunto no mínimo polêmico para as mães de plantão: o contato das crianças com bactérias pode ser benéfico?
Este estudo mostrou que a convivência com animais de estimação e com um pouco de sujeira na infância fornece ao organismo bactérias que ajudam o sistema imunológico a ficar mais resistente, diminuindo assim o desenvolvimento de asma e rinite nas crianças expostas.
O contato com os micróbios estimula a produção de anticorpos e aumenta as defesas nas mucosas intestinais, respiratórias e pele, além de ocorrer uma competição entre bactérias que não causam doenças com as mais agressivas, mantendo o equilíbrio da população de bactérias que fazem parte da microbiota.
Contudo as pessoas não devem esquecer que em locais sem condições de higiene adequadas, com esgoto a céu aberto e poluição ambiental, não se deve permitir que uma criança seja exposta sem nenhum cuidado. Hábitos como lavar as mãos, higienizar os alimentos e os objetos dos bebês, além do acesso ao saneamento básico, amamentação e aos programas de vacinação diminuíram o impacto das doenças infecciosas e a mortalidade infantil.
Se por um lado, um ambiente muito limpo pode diminuir os estímulos imunológicos facilitar o surgimento de quadros alérgicos, como rinite e asma, por outro lado não se deve permitir que uma criança tenha acesso a coisas muito sujas, portanto não se deve abandonar os hábitos de higiene.
O contato com alguns germes é importante porque ensina o sistema imunológico a desenvolver os mecanismos para reconhecer e formar os anticorpos necessários para melhorar a resistência para futuramente combater uma eventual infecção mais complexa.
O ser humano nasce com a capacidade para lidar com os germes presentes no meio ambiente e isso não deve ser subestimado.
7- Quais os fatores que podem influenciar a imunidade?
Um estilo de vida pouco saudável, caracterizado por poucas horas de sono, ausência de repouso adequado, altos níveis de estresse, desgaste físico, sedentarismo, depressão, abuso de álcool, drogas e cigarros, e sexo praticado sem proteção, podem acarretar numa diminuição importante da imunidade.
Em relação ao sexo, são vários os benefícios da sua prática para a imunidade, pois se trata de uma atividade que diminui a ansiedade, reduz o nível estresse, relaxa e melhora o padrão do sono. Por ser equivalente a um exercício cardiovascular, traz todos os seus benefícios relacionados, como a melhora da resistência e a manutenção dos glóbulos brancos no organismo, além proporcionar um bom estado de humor. Lembrando sempre que o sexo deve ser seguro.
Portanto, respeitar pelo menos oito horas de sono, praticar atividades físicas regularmente, ter uma vida sexual saudável e uma alimentação equilibrada, além de evitar o consumo de drogas, o tabagismo e o abuso de bebidas alcoólicas, contam muito para a capacidade de resposta do sistema imunológico.
A imunodeficiência primária está ligada a fatores genéticos e deve-se procurar a avaliação médica adequada, ao se observar a presença de alguns sinais de alerta, tais como dois ou mais quadros de pneumonia no período de um ano, infecções de ouvido ou de pele de repetição, diarreia crônica, asma grave, um episódio de infecção grave (meningite, osteoartrite, septicemia) e história familiar de imunodeficiência.
                         Atividades voluntárias também contribuem para a imunidade.

                     Esportes ao ar livre melhoram a resistência e a manutenção da saúde.

* Em breve matéria sobre atividades em cavernas!